Hemoplasmose Felina (Anemia Infecciosa Felina): Transmissão por Pulgas, Diagnóstico e Cura
A hemoplasmose felina — historicamente chamada de anemia infecciosa felina ou hemobartonelose — é uma doença parasitária sanguínea grave causada por bactérias hemotrópicas do gênero Mycoplasma (com destaque para o Mycoplasma haemofelis). Estes microrganismos fixam-se na superfície dos eritrócitos, desencadeando a destruição maciça das células vermelhas pelo próprio baço do gato (anemia hemolítica imunomediada), resultando em palidez extrema, icterícia e hipóxia tecidual com risco de morte.

Neste guia
1. Agentes Etiológicos e Transmissão
Os hemoplasmas felinos parasitam os eritrócitos:
- **Mycoplasma haemofelis:** A espécie mais patogênica, capaz de provocar crises hemolíticas agudas e fatais.
- **Candidatus Mycoplasma haemominutum:** Mais comum, porém menos virulenta isoladamente.
- **Candidatus Mycoplasma turicensis:** Patogenicidade intermediária.
A transmissão ocorre pela picada de pulgas, arranhaduras e mordeduras em disputas territoriais, além de transfusões sanguíneas sem triagem prévia.
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2. Sintomas Clínicos e Sinais de Anemia Grave
Os sintomas ocorrem em ondas coincidentes com os picos bacterianos no sangue:
- Palidez Mucosa Acentuada: Gengivas e conjuntivas extremamente brancas.
- Icterícia: Coloração amarelada nos olhos e pele por excesso de bilirrubina decorrente da destruição maciça de glóbulos vermelhos.
- Taquipneia: Respiração rápida e curta para compensar a deficiência de oxigênio.
- Febre Cíclica e Esplenomegalia: Picos de 40 °C e aumento expressivo do baço à palpação.
- Pica: Comportamento de comer terra ou lamber areia sanitária decorrente da anemia profunda.
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3. Diagnóstico Veterinário Preciso
- Hemograma: Anemia grave com hematócrito comumente abaixo de 15%.
- Esfregaço Sanguíneo: Visualização microscópica sujeita a falsos negativos frequentes pelo desprendimento da bactéria no tubo de sangue.
- PCR em Tempo Real (qPCR): Método definitivo que detecta e quantifica o DNA da bactéria com máxima precisão.
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4. Protocolo de Tratamento e Emergência
- Antibióticos Específicos: Doxiciclina oral por 14 a 28 dias ou pradofloxacino. Atenção: Comprimidos de doxiciclina devem ser administrados com água ou sachê para evitar estenose de esôfago no gato.
- Corticoterapia: Prednisolona nos primeiros dias para interromper o ataque imunológico do baço.
- Transfusão de Sangue de Emergência: Indicada quando o hematócrito atinge níveis críticos (<12-14%) com colapso clínico.
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5. Prevenção e Portadores Assintomáticos
Muitos gatos tornam-se portadores crônicos após a cura clínica. O controle rigoroso e contínuo de pulgas em todos os animais da casa é a única prevenção eficaz.
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Fontes e Referências Científicas
- Tasker, S. (2010). Haemotropic mycoplasmas: what's the real story in cats? Journal of Feline Medicine and Surgery, 12(5), 369-382.
- Messick, J. B. (2004). Hemotrophic mycoplasmas (hemoplasmas): a review. Animal Health Research Reviews, 5(1), 17-34.
- Lappin, M. R., et al. (2020). Update on feline hemotropic mycoplasmas: Diagnosis, treatment, and prevention. Journal of Feline Medicine and Surgery, 22(4), 312-321.
- Dodds, W. J. (2005). Feline hemobartonellosis and immune-mediated hemolytic anemia. Veterinary Clinics: Small Animal Practice, 35(1), 189-204.
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